América Verde começa pela região mais pobre de São Paulo e a mais bela

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Os mexicanos são os melhores do mundo para cantar despedidas. Já o dizia a rancheira de Ana Gabriel:

“Dicen que no se siente la despedida

dile a quien te lo dijo que eso es mentira

mentira ingrata de un ser que se adora

si hasta (até) se quiere, y hasta se añora (sente falta) “

Fernando Montoya Motocicleta BMW 1200 GS Adventure.

O América Verde começou na garagem de casa, com minha parceira, Marina, me ajudando a carregar as malas, ambos com os olhos molhados. Estava na hora de abandonar São Paulo a caminho das Américas pela parte mais esquecida pelos governantes e políticos paulistas: o Vale do Ribeira.

Ironicamente, esta região é também uma das mais belas do estado. Cruzando as montanhas que fazem divisa com o Paraná, podemos encontrar vários parques estaduais dignos de serem visitados: o Petar, o Parque Carlos Botelho, o Parque Intervales. A estrada tem 476 curvas (e um número similar de buracos) e é um grande atrativo para os motoristas que as percorrem.

Para chegar aqui o melhor é ir até Apiaí, capital da comarca e cidade com melhor infraestrutura devido ao seu antigo esplendor industrial e por ser a capital paulista do tomate. Embora hoje seja pobre e um tanto deprimida, desde daqui podem se visitar todos os parques ou simplesmente curtir as curvas e as vistas gratuitas do seu veículo.

Sou engenheiro e parte importante desta viagem é entender como pequenas comunidades conseguem se fornecer dos recursos básicos como eletricidade, água, telefone, internet.”

Internet via satélite para a comunidade

Sou engenheiro e parte importante desta viagem é entender como pequenas comunidades conseguem se fornecer dos recursos básicos como eletricidade, água, telefone, internet. Para conseguir isto, os professores de escolas rurais são uma fonte valiosíssima e assim foi o que aconteceu com o diretor da Escola Estadual Comendador Toshimaro Kacuta, Mauro. No meio da serra do município de Guapiara, o diretor Mauro nos explicou como seus 250 alunos, filhos de trabalhadores rurais, podem acessar a internet graças ao modem por satélite que a escola tem, já que a maioria deles não possui eletricidade nas suas casas e a escola nem telefone tem.

Poucos trabalhos merecem tanto respeito como o de professores rurais como o Mauro.

Bolo de banana, cafezinho e um pouco do verdadeiro sertanejo

A SP-250, conhecida como Rastro da Serpente, une São Paulo com o Paraná. A paisagem muda cruzando o estado, passando a predominar as plantações de pinus e as casas construídas com esse material. Paramos para saborear um delicioso bolo de banana caseiro e um café feito na hora por uma família paranaense bem simples e pobre, mas de uma simpatia sem tamanho, na beira da estrada. O vovô nos deleitou tocando um sertanejo antigo no seu violão. Quando lhe perguntei sobre o que achava do sertanejo universitário, ele me disse que esse tipo de música não é o Sertanejo, que era uma “coisa eletrônica, daquelas modernas”.

Fernando Montoya Serra do Rastro da Serpente.

FIEMA

Continuei rapidamente rumo ao Rio Grande do Sul para poder acompanhar ao FIEMA –Feira Internacional de Tecnologia para o Meio Ambiente, na cidade de Bento Gonçalves, onde queria fazer alguns contatos entre os fabricantes de equipamentos para reciclagem e de micro usinas solares e eólicas. Tive sorte e consegui o contato de uma empresa que fabrica pequenas usinas elétricas que funcionam com energia renovável instalada em pequenos reboques, que podem ser transportados facilmente a qualquer parte. Já imaginou quantos benefícios isso poderia trazer a uma comunidade como a do Diretor Mauro?

Na próxima matéria viajamos até Cambará do Sul – RS, terra de cânions, belezas naturais e gauchismo puro. Bueno !!