Macacos e lêmures: animais em risco de extinção

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Se colocado em questão o avanço predatório do homem sobre a natureza, mudando as características do solo, substituindo vegetação nativa por plantações e devastando florestas em nome da extração de recursos naturais, conclui-se que a vida animal é persona non grata na visão da sociedade humana.

Ricos em biodiversidade e florestas nativas, Indonésia, Brasil, República Democrática do Congo e Madagascar abrigam uma grande quantidade de espécies, entre as quais muitos primatas. São esses quatro países o habitat de 65% das espécies de primatas existentes no planeta.

A má notícia é que 62% dessas espécies correm risco de extinção nesses países ainda neste século. Há quem possa parecer irrelevante, se não pela força da responsabilidade de cada um por aquilo que lhe cerca, que seja por uma questão de sobrevivência, a proximidade entre o homem e os primatas é um indicador de que o mundo que a sociedade humana está a produzir pode se tornar inviável para sua própria existência.

É difícil estabelecer um critério que parametrize os modelos de desenvolvimento econômico desses países, estabelecendo uma relação direta com a precarização das condições dos biomas locais. Numa abordagem mais histórica do que econômica, são países onde o desenvolvimento das culturas de plantio chegou tarde. Isso, em outras palavras, quer dizer que a baixa capacidade tecnológica implica em baixa produtividade das culturas, com consequente avanço da agricultura sobre as florestas virgens, habitat dos primatas.

Qual a solução?

Enfatiza-se a abordagem histórica, porque do ponto de vista tecnológico países como o Brasil avançaram muito em produtividade com o agronegócio e o incentivo ao pequeno produtor. O grande problema, no caso do Brasil, está relacionado ao enorme território. A vigilância é cara e difícil, de modo que a exploração predatória, através das queimadas segue sendo a maior inimiga dos biomas, principalmente da região amazônica, o que inclui Norte e Centro Oeste.

Afirmam os especialistas que a preservação dessas espécies passa por algo muito além de estabelecer reservas florestais. Atualmente, no Brasil, menos de 40% dos primatas estão em áreas protegidas. É necessário procurar estabelecer cadeias de floresta nativa. O principal, porém, é o florescer da consciência responsável na sociedade humana. Nos quatro países citados estão 286 de 439 espécies de primatas. São verdadeiros santuários à vida selvagem.

Enquanto a consciência brota aqui e ali, é possível ver caminhos que se cruzam. A tentativa de atenuar danos ao planeta tende a favorecer outras formas de vida, além da própria vida humana. Os programas voltados para reaproveitamento, reutilização e reciclagem de materiais tem agido em duas frentes: preservação de recursos naturais e redução da poluição.

Esses programas, na medida que se expandem, reduzem a demanda por recursos naturais, ao mesmo tempo que diminuem o lançamento de resíduos sólidos na natureza, com consequente degradação do solo e aumento da poluição. Para isso, contribui, ainda, a busca por energia limpa e não poluente. O replantio de florestas, mesmo que para exploração econômica, é uma forma de conter o avanço da atividade econômica sobre as florestas nativas.

A batalha pela frente ainda é muito dura. Na Indonésia e em Madagascar, 90% das espécies de primatas existentes encontram-se ameaçados pela extinção.